quarta-feira, 5 de maio de 2010

Heroínas de Quentin


A figura feminina, a mocinha indefesa, a rainha, a madrasta, a bruxa, a vilãs e tantas outras. Personagens femininas são indispensáveis para o desenvolvimento de uma trama interessante, coerente. Claro que não se fazem filmes sem homens, no entanto, a figura feminina balanceia, dá um brilho a mais a história. Quando as heroínas, do ponto de vista literário, carregam um roteiro nas costas, tudo é visto sob uma óptica diferente.
Até pelo histórico feminino na história mundial, desde a pré-história, a mulher é tida como inferior, subordinada ao homem. A divisão do trabalho e a organização da sociedade sempre fizeram com que fossemos subjugadas e até hoje, muitas de nós ainda não vivem plenamente e sim como um ‘segundo sexo’ para cuidar da cria. É claro que já mudou muito e devemos isso a grandes revolucionárias, estudiosas, escritoras, filósofas, jornalistas, que Deus as abençoe. É quase que gratificante vê-las no poder, mesmo que para um fuga, numa sala de cinema.

Na filmografia de Tarantino, é fácil encontrar violência, sangue, armas, diálogos inesquecíveis, boa música, cenas marcantes, falta de linearidade, carros antigos, pés, capítulos, homens que se revelam ótimos personagens, junto a eles, mulheres lindas e independentes, batalhadoras e fortes (não só as ‘boa gente’) que com certeza seriam necessários outros filmes para desvendá-las por completo.
Mesmo que a uma primeira vista, elas pareçam coadjuvantes, sem importância nos elos da história, não se engane, elas farão o rumo de tudo mudar.


PLAYBOY - A abundância de sangue em Kill Bill vai limitar a audiência?

Tarantino- Eu gosto de Kill Bill porque é violento para caramba, mas também porque é divertido para caramba. O filme não se passa em nosso universo, e sim no universo cinematográfico. É um filme que sabe que é um filme. Você pode gostar dele ou não, mas, se é um amante de cinema e conhece o negócio, acabará ao menos sorrindo ao assisti-lo. Em determinado momento, Harvey Weinstein estava preocupado que a violência espantasse o público feminino. Eu disse: "Não se preocupe. Elas vão amar o filme. Elas vão se sentir revigoradas por ele". Acho que garotas de 13 anos vão amar Kill Bill. Quero que jovens garotas possam ver esse filme. Elas vão amar a personagem de Uma Thurman. Elas têm minha permissão para comprar ingresso em um multiplex para outro filme e entrar de bico em Kill Bill. Esse é um dinheiro que abro mão. Quando era garoto, costumava ir aos cinemas quando eles não tinham o título dos filmes no ingresso. Sou bicão de cinema há muito tempo.





#1997 - Jackie Brown
#2009 - Bastardos Inglórios
#2007 - À Prova de Morte
#2004 - Kill Bill: Volume 2 (video)
#1994 - Pulp Fiction - Tempo de violência

Quem presencia seus filmes, fascina-se pelos tempos de violência, pelos planos inusitados, pela musica contagiante e quer saber? As garotas amam Tarantino.
Como diria Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher, torna-se mulher”, eu diria que as mulheres de Quentin Tarantino são de fato mulheres.
É notório que minha filha poderá ver os filmes de Quentin Tarantino.
R.

Um comentário:

Dani disse...

Realmente, os filmes são um ótimo instrumento para reforçar nosso espaço na sociedade. No final da contas somos muuuito melhores do que os homens, já que cuidamos da casa e do trabalho como eles nunca conseguiriam fazer. Diretores que mostram a nossa força - mesmo que de maneira exagerada rs - merecem nosso total agradeceminto.